Turismo? Pantanal e a Copa!

Afinal, tanto Cuiabá quanto Manaus não possuem destaque nacional no futebol profissional, capacidade hoteleira, expressão consumidora de mercado e nem infraestruturas urbana e turística adequadas ao porte do evento.

Agripino Bonilha Filho é ex-secretário de Turismo de Cuiabá

Agripino Bonilha Filho é ex-secretário de Turismo de Cuiabá

Ao promover a Copa do Mundo de futebol, a FIFA busca alcançar alguns objetivos, que vão desde a promoção internacional do futebol à manutenção de um alto nível de recursos financeiros da própria entidade. Para se ter uma ideia, a receita obtida pela FIFA nas Copas da África e da Alemanha aproximou-se de US$ 4.6 bilhões de dólares.

Com essas preocupações, a escolha das sedes da Copa do Mundo sempre obedeceu algumasexigências, como o alto grau técnico e profissional das atividades futebolísticas, a expressão consumidora da sociedade para satisfazer os interesses dos patrocinadores, a menor distância entre as sedes para garantir a logística de economia e conforto dos torcedores, o aeroporto, a capacidade hoteleira, a segurança, a saúde, e a infraestrutura urbana e turística.

No Brasil, a ampliação de dez para doze sedes provocou o interesse de mais cidades, dentre elas Cuiabá e Manaus. Mas é necessário reconhecer que as candidaturas das cidades mencionadas não contemplavam nenhuma das exigências básicas da FIFA. Afinal, tanto Cuiabá quanto Manaus não possuem destaque nacional no futebol profissional, capacidade hoteleira, expressão consumidora de mercado e nem infraestruturas urbana e turística adequadas ao porte do evento. Sem contar, a enorme distância das demais cidades-sede. Já as outras duas candidaturas, Goiânia e Florianópolis, respondiam com eficiência às exigências da FIFA.

Um argumento, gerado em Cuiabá, falava da possibilidade do Brasil mostrar ao mundo as belezas exóticas do Pantanal mato-grossense e a exuberante Amazônia. E rasgando todos os critérios básicos e formais da entidade, tal argumento, que foi abraçado pelo ex-presidente da FIFA João Havelange, convenceu POLITICAMENTE os dirigentes da FIFA.

A escolha política de Cuiabá como cidade-sede trouxe, então, como exigência aos governantes de Mato Grosso, o desafio de suprir as deficiências de infraestrutura, principalmente na área turística, pela responsabilidade de expor o Pantanal ao mundo. Cada partida de futebol de uma Copa do Mundo da FIFA™ gera, por exemplo, 400 horas de transmissão, 70% de futebol e 30% divulgando as atrações turísticas e econômicas de cada sede. A divulgação da Copa alcança 214 países em todos os continentes, 73 mil horas de televisão e audiência de 26.29 bilhões de telespectadores.

Na pesquisa de Diagnóstico de Produtos e Serviços, realizada pela Universidade Federal de Mato Grosso, a análise do fluxo de turistas durante 14 dias entre os quatro jogos em Cuiabá mostrou as seguintes tendências: dependendo das seleções programadas, o menor fluxo de turistas estrangeiros será de 44.900, fluxo médio de 59.000, e o fluxo máximo de 78.000. O estudo apresenta ainda como informação de extrema relevância, o fato de que cada visitante permanecerá em média somente quatro dias em nosso Estado.

A partir da Copa das Confederações, será intensificada a vinda de jornalistas ao Estado com coberturas focadas na grande atração que foi proposta: o Pantanal e as alternativas mais próximas e viáveis, que são Chapada dos Guimarães e provavelmente Nobres. Qualquer outra curiosidade turística vai esbarrar no tempo exíguo de permanência dos visitantes.

A política de turismo do Governo de Mato Grosso deve, portanto, priorizar a Copa do Mundo de Futebol, cujo êxito e ou fracasso vai refletir em todo o Estado. Não se trata de abandonar o restante do Estado no quesito investimento a curto prazo no turismo, mas sim pensar na imagem que vamos passar para o mundo por meio da imprensa e de milhares de visitantes que possivelmente nunca ouviram falar de Pantanal. É graças à Copa do Mundo da FIFA™ que poderemos expor a exuberância de nossas naturezas e apresentá-las como roteiro turístico mundial, e transformá-las em expressão da nossa economia.

As gigantescas obras de mobilidade urbana que estão sendo realizadas em Cuiabá pelo Governo do Estado já gratificam e justificam parcialmente o sonho realizado de conquistar um lugar ambicionado na Copa. Entretanto, conquistamos esse lugar na justificativa de desenvolver o turismo pantaneiro, sem o qual a totalidade do desafio fica sem resposta.

Vamos aproveitar essa oportunidade, fazer valer o nosso espaço em escala global e num futuro próximo incluir o turismo como atividade econômica sustentável e geradora de riquezas e de trabalho.

Agripino Bonilha Filho é ex-secretário de Turismo de Cuiabá

http://reportermt.com.br

BY TURISMOMT

NOVA ARTE TURISMOMT RGB

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: