Turistas viram ‘caçadores’ de aurora boreal em países do Ártico

O britânico Andy Keen abandonou seu emprego há cinco anos e foi morar em uma área remota da Finlândia, onde se transformou em 'caçador de aurora boreal'. Imagem: © Andy Keen http://www.aurorahunters.com

Enquanto que nos Estados Unidos os chamados “caçadores de tempestades” tentam perseguir tornados e furacões, na região do Polo Norte existem grupos que “caçam” auroras boreais, ou luzes do Norte.

Estes grupos percorrem regiões da Finlândia e da Noruega atrás das melhores chances de registros do fenômeno de luzes. Muitos contam com a ajuda de empresas de turismo especializadas em aurora boreal.

Este foi o caso de Andy Keen, que há cinco anos deixou o emprego na Grã-Bretanha, onde dirigia uma instituição de caridade, e se mudou para Ivalo, um vilarejo remoto no norte da Lapônia, Finlândia, a 68 graus de latitude, dois graus acima da linha do Círculo Ártico.

“Vi um documentário na televisão a respeito das luzes do Norte. Então fui até lá para ver. Agora, estou viciado”, disse.

Keen viu um documentário sobre a aurora boreal na televisão e resolveu observar as luzes. Agora ele se declara 'viciado'. Atualmente, ele mora dois graus acima do Círculo Ártico. Imagem: © Andy Keen http://www.aurorahunters.com

Keen fundou a Aurorahunters (“Caçadores de Aurora”, em tradução livre), que leva sete turistas por semana para viagens em partes mais remotas da região, em busca de auroras boreais.

“A razão de eu ter escolhido este lugar é que a população é muito baixa, há pouca luz ou poluição sonora e é um território perfeito para a aurora”, disse.

Atualmente, ele tem uma empresa de turismo especializada em levar pequenos grupos para observar as luzes durante o inverno no hemisfério norte. Acima, um dos clientes de Keen. Imagem: © Andy Keen http://www.aurorahunters.com

‘Dama astuta’

O grande problema da “caça” à aurora é a dificuldade em prever onde ela vai aparecer.

Em seu site, a agência oficial de turismo da Noruega chega a comparar a aurora boreal a uma “dama astuta”. “Você nunca sabe quando ela vai aparecer. Esta diva vai te deixar esperando”, diz o site.

Por isso, empresas como a de Keen estudam informações meteorológicas para tentar encontrar o melhor lugar para ver as luzes.

“Estamos checando relatórios sobre as nuvens. Observamos o movimento, a densidade das nuvens. Estamos apontando para um lugar onde sentimos que, em um momento específico, vai haver um buraco nas nuvens”, afirma Keen.

As excursões para os locais escolhidos são realizadas em micro-ônibus ou trenós puxados por cães, especialmente para chegar em áreas de difícil acesso.

Assim que a equipe consegue estimar o melhor local, com menos nuvens, Keen e os turistas viajam em micro-ônibus e até trenós puxados por cães para as áreas mais remotas da Finlândia. Imagem: © Andy Keen http://www.aurorahunters.com

Uma das condições para uma boa visão das luzes é o céu livre de nuvens. Keen afirma que não é necessário sequer um céu sem a Lua. Na verdade, o 'caçador' afirma que a Lua cheia até ajuda a tornar a paisagem mais bonita. Imagem: © Andy Keen http://www.aurorahunters.com

Vento solar

“O processo que causa a aurora é parecido com a física das luzes de neon”, afirma Joseph M. Kunches, cientista espacial no Centro Espacial de Previsão do Tempo dos Estados Unidos, parte da Associação Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA, na sigla em inglês).

“Um elétron interage com átomos neutros e emite luzes de várias cores. O que acontece quando a aurora brilha é que as partículas vindas do Sol – a maioria delas são elétrons – são trazidas pelos ventos solares na direção da Terra e guiadas pelos polos magnéticos do planeta.”

“Quando as partículas interagem com a atmosfera da Terra, elas estimulam moléculas que já estão aqui, e estas emitem luzes”, acrescentou.

Kunches afirma que a cor das luzes depende dos gases na atmosfera terrestre (oxigênio, nitrogênio ou outros). “E, quando os ventos solares são mais fortes (…), as auroras serão mais brilhantes”.

O cientista avisa que, nas temporadas de 2012 e 2013, a previsão é de muita atividade solar, portanto as auroras boreais serão mais frequentes.

Cientistas também estimam que 2012 e 2013 serão ótimos anos para a aurora boreal. A atividade solar deve aumentar e os ventos solares são determinantes para a intensidade da luz. Imagem: © Andy Keen http://www.aurorahunters.com

Kunches afirma que o Polo Sul é afetado da mesma forma pela atividade solar. Mas, existe a diferença sazonal: no norte, a aurora é vista no inverno, quando tudo fica escuro.

No sul, as regiões são iluminadas 24 horas por dia, então não é possível ver as luzes.

No norte, a aurora boreal pode ser vista nos países escandinavos (Noruega, Suécia e Dinamarca), Finlândia, Rússia, América do Norte e norte da Escócia.

As luzes da aurora boreal podem ser vistas na região da Escandinávia, América do Norte, norte da Escócia e Rússia. Mas, como alerta o site de turismo da Noruega, nunca se sabe onde as luzes vão aparecer. Imagem: © Andy Keen http://www.aurorahunters.com

Céus limpos

Assim como Joseph Kunches, Andy Keen espera boas oportunidades para ver a aurora boreal em 2012.

“Nos primeiros meses do ano, particularmente em janeiro, fevereiro e até o meio de março, temos céus limpos”, disse.

Neste período a maior parte da neve já caiu e há menos nuvens no céu.

O 'caçador' afirma que os melhores meses para a observação das luzes são janeiro, fevereiro e até o meio de março, quando a maior parte da neve já caiu e o céu tem uma quantidade menor de nuvens. Imagem: © Andy Keen http://www.aurorahunters.com

 

No entanto, Keen estuda, junto com sua equipe, mapas meteorológicos para saber a posição das nuvens e escolher o melhor lugar para a observação da aurora boreal. Imagem: © Andy Keen http://www.aurorahunters.com

No entanto, no verão, quando as noites são curtas ou sequer ocorrem, é o período ruim para os caçadores destas luzes. Eles voltarão a ter mais atividade a partir do outono no hemisfério norte, que começa em outubro.

O espetáculo se estende pelo inverno do hemisfério norte. No verão, quando as noites são curtas ou simplesmente não existem, as luzes não podem ser vistas. Mas, a atividade volta em outubro, com o início do outono. Imagem: © Andy Keen http://www.aurorahunters.com

O fotógrafo finlandês Martti Rikkonen, um dos mais famosos fotógrafos de natureza do país, ganhou um prêmio nacional em 1995, com uma imagem da aurora boreal. Ele afirma que muitos finlandeses não dão tanta importância para as luzes.

“Para muitas pessoas, não é nada especial, pois temos elas com muita frequência. Você pode ver (as luzes) com tempo limpo talvez 200 noites por ano. Mas quando elas estão boas, todo mundo se interessa, pois há tanta cor e elas são fantásticas”, disse.

Rob Hugh-Jones

Do programa ‘The World’, da PRI e da BBC

BY TURISMOMT

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2 Respostas

  1. Oi, sou um caçador de aurora boreal brasileiro e tenho muita experiência com a busca pelas Luzes do Norte. Organizo expedições e levo grupos de brasileiros a Noruega e até a Ilha de Svalbard (polo norte). Neste inicio de ano estarei levando mais 45 pessoas em datas diferentes. Seria legal informar que existe no Brasil alguém que presta o mesmo serviço do guia citado na matéria, fazendo uma expedição totalmente brasileira. Participei da equipe do Planeta Extremo que filmou para o especial do Fantástico. Para conhecer meu trabalho basta encontrar meu blog, é só digitar (aurora boreal no artico) no google.

    Obrigado

    • Estaremos sempre a disposição para ajudar! espero que nos envie matérias e fotos exclusivas das suas novas expediçoes! Um abraço e sucesso!

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