Costa do agito

DESTINO  BAHIA

TRANCOSO – PORTO SEGURO – ARRAIAL D’AJUDA

Desde Porto Seguro até Caraíva, passando por Trancoso e Arraial d’Ajuda, tem badalação para todos os gostos. De dia, em praias com falésias e riachos desaguando no mar – ou nas barracas onde o clima pega fogo. Depois, é cair na “naite”

Numa praia, a música é eletrônica e as festas do tipo rave duram até 72 horas. Em outra, o cenário é o oposto: dominam as barracas em que 3.000, 4.000 pessoas executam coreografias alucinadas, movidas a axé e doses maciças de capeta, o demolidor drinque local. Uma pousadinha modesta, mas com certo charme, pode ter diária de 30 reais e não fica muito longe das casas chiquérrimas que já hospedaram as modelos Gisele Bündchen e Naomi Campbell. Ouve-se muito inglês, francês, espanhol com sotaque argentino e, ultimamente, hebraico – mas ninguém sai de lá sem alguma fluência no mais puro baianês, cantado com entonação de forró.

Araquém Alcântara
As falésias, em variações de vermelho ou forradas de verde: contraste da placidez das praias com a animação das vilas          Foto: Araquém Alcântara

 Para quem quer que a vida, ou pelo menos as férias, seja uma festa contínua, o lugar ideal está em algum ponto dos 80 quilômetros entre Porto Seguro e Caraíva, passando por Trancoso, Arraial d’Ajuda e Espelho. Essa faixa litorânea do sul da Bahia figura nos livros de história como o marco do descobrimento, mas hoje em dia merece mesmo é o título de Costa do Agito. São trinta praias de areias brancas, mar azul, falésias multicoloridas e, ainda, muito espaço para quem busca sossego. O lema dominante, no entanto, é agitar, ir para a balada, enfim, se acabar. De dia, na praia, já por si uma celebração. De noite, na “naite”.

Em Trancoso, as festas se repetem todas as madrugadas: ponto de encontro de DJs e clubbers de várias partes do mundo                                                                                                 Foto: Fernando Vivas

Cada trecho tem seu público específico. Trancoso é o lugar mais badalado, encruzilhada de paulistas endinheirados, jovens modernérrimos, hippies de verdade, mochileiros de mentira e os “nativos” mais desinibidos do litoral brasileiro, o que não é pouco.

Durante a temporada, há festas todas as noites – até a celebração religiosa local, o dia de São Brás, virou uma espécie de rave, com 24 horas ininterruptas de batuque. Durante o dia, reina uma preguiçosa placidez no coração do vilarejo, o Quadrado, um enorme terreiro gramado com duas fileiras de casinhas encantadoras, árvores centenárias e uma igreja de costas para o mar. Restaurantes, iogurterias, lojas de decoração, ateliês e pousadas e até lanchonete com decoração clubber se alinham nesse espaço.

O público variado incentiva a diversidade de oferta. No Portinha, come-se uma deliciosa comida, feita em fogão a lenha, a 7 reais o prato. Do outro lado, na Pousada do Quadrado, com decoração feita pelo paulista Sig Bergamin, um doce assinado por Mara Mello, formada na escola francesa de pâtisserie, custa 10 reais. A moçada festeira salta do forró para o tecno com facilidade.

As festas rave que duram três, quatro, às vezes até cinco dias e noites sem baixar o som tornaram-se marca de Trancoso e atraem gente de todo o mundo. A turma da noite freqüenta a praia depois das 4 horas da tarde. Daí ao cair do sol, barracas como a Pé na Praia, na Praia da Pedra Grande, viram uma vitrine de modernidades: piercings em todas as partes imagináveis da anatomia, tatuagens idem, garotas lindas de topless que ninguém pode olhar demais para não passar por desenturmado, rapazes com brincos da largura de um dedo enfiados na orelha, cabelos com mechas roxas, laranja, cor-de-rosa. Não é um lugar indicado para quem tem baixa tolerância a comportamentos alternativos.

Em frente à barraca Pé na Praia, o cenário é enfeitado por topless e piercings: convivência harmoniosa de todas as tribos Foto: Fernando Vivas

Erguida sobre uma falésia, Arraial d'Ajuda tem poucas pousadas na praia. Uma exceção é a Pitinga: na maré baixa, piscinas Foto: arquivo

 Porto Seguro oferece um “pacote baiano” muito mais convencional, com axé, dança, ginástica coletiva, forró acrobático e, acima de tudo, as barracas de praia, um fenômeno local em que o agito é garantido à luz do sol ou sob as estrelas.

As barracas de Porto são únicas, em infra-estrutura e tamanho. A Barramares, por exemplo, tem 7.000 metros quadrados de área construída, onde cabem 1.000 mesas e 200 espreguiçadeiras, ou seja, tem acomodação para 4.200 pessoas. Quem não senta na primeira fileira, com a água banhando os pés, mal vê o mar, mas se diverte. Durante o dia, tem concurso de dança, shows, gincana, leitura de búzios, restaurante self-service por 11,19 reais o quilo. A cada noite, a festa, ou luau, segundo o termo amplamente generalizado, acontece numa das barracas ou em uma casa noturna.

 A Alcatraz tem cenário de prisão, a Transilvânia é uma casa de terror, na Ilha do Pirata, construída numa bonita ilha do manguezal do Rio Buranhém, há aquários com tubarões. As operadoras de turismo providenciam transporte do hotel até o luau. Uma festa normal, em temporada, reúne 5.000 pessoas. Para agradar a todas as faixas etárias, há vários ambientes: para forró, música tecno, pagode, até para voz e violão. O epicentro é sempre o enorme palco do axé, com shows de bandas e de dançarinos.

 

Arraial tem vida cultural e arquitetura moderna e colorida nas lojas e bares: reduto de alternativos brasileiros e estrangeiros Fotos Oscar Cabral

Arraial d’Ajuda fica entre Trancoso e Porto Seguro. E não só geograficamente. A vila é um meio-termo entre seus vizinhos: recebe um turismo de massa sem perder o charme de destino de alternativos e jovens estrangeiros. Tem agito durante o dia nas barracas da Praia de Mucugê e, conforme se caminha em direção a Trancoso, menos movimento e mais visual.

 Na bela Praia da Pitinga há infra-estrutura para um petisco e uma cerveja ou para um almoço no restaurante envidraçado sobre a areia da charmosa Pousada Pitinga, que tem pirâmides com teto de sapé e paisagismo irretocável. À noite tem luau no Parracho – freqüentado só por moçada –, forró e cerveja na Bróduei, badalação no Caminho do Mar. Essa rua é o espelho que melhor reflete Ajuda: um animado vai-e-vem de turistas, muita cor e capricho nos bares e restaurantes que servem de sushi a paella e nas lojas que vendem de charutos cubanos a móveis de design.

Quer dar um tempo no agito? Tem espírito de aventura? Não perca as deslumbrantes praias do Espelho e Curuípe, a 25 quilômetros de Trancoso, com acesso por estrada de terra e pontes precárias. O mar de cores mutantes, o morro que parece uma escultura de barro branco, o rio que serpenteia a areia valeram às duas lugar de honra na lista das dez praias mais belas do país. Um pouco mais ao sul fica o vilarejo de Caraíva. Sem luz elétrica, sem carros, sem sombra de asfalto – mas com forró toda noite, para não esquecermos que aqui é a Costa do Agito.

Flávia Varella

http://veja.abril.com.br/

By TurismoMT

 

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