Viagens internacionais saem mais barato que nacionais

Viagens internacionais saem mais barato que nacionais; preço convidativo tem sido determinante para paraibanos realizarem seus sonhos

Viajar para Buenos Aires, Santiago e até Miami pode sair mais barato do que muitos destinos nacionais como Gramado, no Rio Grande do Sul, inclusive para os resorts regionais em Porto de Galinhas (PE), Maceió (AL), Fortaleza (CE) e Costa de Sauípe (BA), cidades mais próximas da Paraíba. É o que aponta o levantamento de preços dos pacotes de viagem comercializados nas principais agências de turismo em João Pessoa.

A combinação da elevação do poder de compra do paraibano e desvalorização das moedas como o dólar e o euro frente ao real cresceu a procura por viagens internacionais, que já superaram em algumas agências a preferência dos destinos nacionais. De cada dez pacotes vendidos, seis deles já são internacionais em algumas agências da capital. A procura pelo exterior no ano passado cresceu em média 30% sobre o ano anterior.

Um dos fatores que mais atraem turistas paraibanos são valores. Os preços de pacotes para Buenos Aires (Argentina), Santiago Chile (Chile) e Miami (EUA) podem ser encontrados, em média, a R$ 1.800,00, enquanto Gramado para uma temporada de sete dias, em novembro, quando começa a temporada do Natal Luz, não custa menos de R$ 2 mil. Já os preços dos resorts no Nordeste, em período de férias, batem qualquer viagem internacional, oscilando de R$ 3 mil a R$ 5 mil, inclusive a temporada de alta estação de esqui no Valle Nevado e no Centro de Ski El Colorado, no Chile, que custa em torno de R$ 3,3 mil. Outro detalhe: essas viagens internacionais incluem transporte aéreo, enquanto os resorts regionais apenas a hospedagem, alguns com apenas meia pensão. Na prática, eles estão no mesmo patamar dos pacotes para uma semana em países da Europa como Madri (R$ 3,3 mil) e Lisboa (R$ 3,2 mil).

Além do câmbio que deixa passagem e hotéis internacionais mais acessíveis, o diretor da operadora de Turismo da G7, Lincoln Diniz, diz que outro fator que tem “impulsionado o turista paraibano a optar pelo turismo internacional são as facilidades de pagamento que o mercado atualmente oferece. O fato de o turista escolher os trechos internacionais também gira em torno de diversos outros aspectos, como o próprio interesse em conhecer lugares fora do país e o status de viajar para o exterior. As compras, principalmente nos pacotes para os EUA, é outro fator que pesa a favor no momento atual. Os valores de mercadorias são bem mais em conta, fazendo com que as compras sejam tão importantes quanto o passeio para o ato da escolha de um destino”, comentou.

Lincoln aponta “até o crescimento abrupto da internet como um dos principais fatores para o impulso do destino. Hoje em dia, o turista pode pesquisar todas as informações sobre sua viagem como: hospedagem, melhores passeios, lugares mais ‘badalados’, lugar para fazer compras, bem como fazer um orçamento médio de quanto vai gastar na viagem”, relatou.

O gerente de vendas da CVC em João Pessoa, Pedro Deon, responsabiliza os encargos fiscais e trabalhistas sobre as empresas. “Os tributos pagos pelos hotéis, empresas aéreas, além dos encargos na folha pessoal são altos e isso eleva o custo no preço ao consumidor final, gerando ainda perda de competitividade frente ao turismo internacional”, justificou.

Já o presidente da Associação Brasileira das Agências de Viagens na Paraíba (Abav-PB), Roberto Brunet, confessou que a falta de competitividade do turismo nacional atualmente vai além do câmbio e dos tributos. “Não há uma justificativa plausível para que os valores cobrados em nosso país estejam assim tão altos, mesmo que o câmbio e os tributos influenciem. Muitas pessoas comemoram a queda das moedas estrangeiras, porque só assim podem fazer turismo. Isso é um ruim para a economia nacional, que perde divisas, possibilidade de consolidar seu destino internacional e gerar mais empregos internamente. Outro fator que impulsiona os paraibanos a viajarem para o exterior é o fator compras. Para se ter uma ideia, o volume de gastos é tão forte nos EUA, por exemplo, que os brasileiros são hoje líderes do ranking internacional de gasto per capita. O Brasil já superou o Japão no quesito maior gasto médio por passageiro em 2010 em viagens aos Estados Unidos”.

Segundo Brunet, no ano passado, a média de gasto do brasileiro foi de US$ 4.925 dólares em viagem aos EUA, ficou à frente dos chineses com US$ 4.540 e dos japoneses com US$ 4.290. “Um turista brasileiro, em gastos individuais nos EUA, equivale a 4,7 canadenses; 7,5 mexicanos e 1,7 inglês. Não é à toa que a aprovação do visto para os EUA chega a 97%. A crise econômica americana está fazendo com que as empresas de lá saltem os olhos ao turista brasileiro pelo consumo e o volume de compras dos paraibanos não fica a desejar”, frisou.

O presidente da Federação das Câmaras Dirigentes Lojistas da Paraíba (FCDL), José Artur Almeida, revela que muitos paraibanos “estão disfarçados de turistas nos EUA. São as chamadas sacoleiras internacionais, que compram roupa de grife sem pagar tributo algum e despejam em reuniões de amigos as novidades do mercado. O número e volume de compras, principalmente de peças de roupas americanas que inundam o nosso mercado é algo extremamente preocupante. As alfândegas têm feito vista grossa para alguns produtos. No ano passado, as vendas do Natal não foram melhores devido a esse tipo de comércio que é extremamente danoso à economia local e traz concorrência desleal, pois essas sacoleiras internacionais não pagam tributos nem encargos sociais”, comentou.

Cultura e preço convidativo são determinantes

Além do preço convidativo, o valor de conhecer outra cultura tem sido determinante para muitos paraibanos que optam pelo exterior. É o caso do casal de namorados Thacio Araújo e Thamires Nunes, que embarcam para Londres no dia 1º de julho. “A expectativa é grande, porque será a minha primeira viagem internacional”, diz a estudante de Direito, Thamires, 23 anos, que na última semana deu entrada para receber o passaporte no Departamento da Polícia Federal, no shopping Tambiá.

O roteiro deles, além da Inglaterra, inclui outros países europeus como Suíça, Espanha e Itália. Thacio conta que a viagem não está dentro de um pacote tradicional, que gira em torno de sete dias. “Comprei apenas as passagens operadora, pois como tenho familiares morando na Inglaterra, Suíça e Itália, a ideia é de esticar a viagem por 20 dias e visitar outros países da Europa”, acrescentando que o preço da viagem não foi determinante. “Acho que a experiência de conhecer pessoas de outras culturas tem um valor maior que o preço em si do pacote”, diz Thacio que pagou R$ 2,4 mil pelas passagens ida e volta para Londres.

Segundo Thacio, que já viajou para Europa onde tem família, se a lógica é apenas preço alguns resorts em Pipa e Porto de Galinhas estão mais caros no período de alta estação que os valores de viagens internacionais. “Se a opção é para algumas pousadas, o valor dos serviços complementares como restaurantes e passagens aéreas estão muito mais alto que na Europa. Você paga por qualquer voo de três horas na Europa menos de R$ 150,00. No Brasil, somente com muita promoção e em baixa temporada esse preço é competitivo”, reclama.

Aproveitando os preços em baixa, a estudante de Medicina Mariana Moraes embarca dia 26 de junho para passar uma semana na Bolívia. Ela acompanhará um amigo que ingressou numa faculdade de Medicina, sem a exigência de vestibular. Para ingressar, basta haver vaga e que o aluno prove ter condições de pagar o curso. “Como os preços das passagens estão mais atraentes, resolvi acompanhá-lo e conhecer o país. Se as passagens forem compradas com antecipação, é possível pagar menos de R$ 1 mil pela ida e volta”, revela a estudante, que teve sua primeira experiência internacional nos EUA.

Mariana revela que os preços de pacotes nacionais estão mais caros e desanimadores. “Estou programando um congresso de Medicina em novembro, em Porto Alegre, e somente de passagens vou pagar R$ 1,3 mil, fora hospedagem que estamos negociando em bloco por fora e a inscrição do congresso. Se realmente não desistir, não irei gastar menos de R$ 2 mil com as despesas de viagens”, revela.

PB Agora

http://www.pbagora.com.br/

By TurismoMT

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