Turismo, culinária e biodiversidade

Atolado de caranguejo, no cardápio do Beach Park ( FOTO DIVULGAÇÃO)

O turismo pode ser considerado uma das mais importantes atividades econômicas do mundo, sendo responsável por 255 milhões de empregos, suplantando a indústria bélica, em volume de capital transacionado. A atividade movimentou US$ 919 bilhões, em 2010. Um incremento de 7% com relação ao ano de 2009. Já os indicadores dos primeiros meses de 2011 registram um crescimento global próximo a 5%. As regiões da América do Sul e Sul da Ásia lideram o crescimento, com taxas de 15% no período.

A Organização Mundial do Turismo lançou uma campanha global cujo tema Turismo e Biodiversidade é uma forma de mobilizar e conscientizar todos os agentes ligados ao trade turístico para necessidade de preservação do meio ambiente como matéria-prima básica da atividade turística. O Brasil, uma das nações mais ricas em biodiversidade e diversidade cultural do planeta, só na última década parece ter acordado para esse imenso potencial e, a partir de 2002, transformou o desenvolvimento do turismo em política de Estado.

Este cenário globalizado, do turismo sem fronteiras, surge como uma oportunidade exemplar para o Brasil, em particular para a nossa região, se apresentar a partir de modelos inspirados na economia criativa para uso racional da biodiversidade regional com sustentabilidade.

O filósofo francês Claude Lévi-Strauss observou que os alimentos não são apenas bons para comer, mas, também, para pensar. Tal observação ocorreu mediante longos estudos realizados em diversas sociedades, o que lhe proporcionou a forte relação existente entre a comida e os mitos. A comida, então, deveria ser entendida como uma linguagem; e a cozinha de uma dada sociedade indicaria os seus valores. Assumir os aromas, sabores e saberes regionais tem por objetivo principal mostrar nossas raízes históricas e culturais, despertar no turista o desejo de viajar para conhecer e admirar a riqueza da nossa biodiversidade, terra, gente, cultura, cozinha e até as artes decorativas e florais.

O Ceará deve apostar nesta direção, se quiser estar no protagonismo desse processo. Em outubro de 2010 ocorreu um marco histórico para região, o lançamento, no Beach Park, do Selo Caranguejo Verde. Embora já tenha sido pauta da coluna em novembro de 2010, é oportuno apontar os méritos do projeto como exemplo de economia criativa, geradora de sustentabilidade.

O projeto Selo Caranguejo Verde teve início em 2004, a partir de uma iniciativa dos profissionais em gastronomia e hospitalidade do Beach Park, Bernard Twardy e Fábio Moreira, com o pesquisador da Embrapa, oceanólogo Jefferson Legat – estudar e pesquisar o caranguejo-uçá (Ucides codatus). Imaginem, a região do Delta do Parnaíba oferta 95% de sua produção ao mercado de Fortaleza. O transporte, na forma tradicional, gera uma mortandade de até 55% dos crustáceos capturados e transladados para Fortaleza. Números devastadores para a preservação da espécie e para a degustação da nobre iguaria pelas próximas gerações. Fortaleza absorve 650 mil toneladas de lixo gerados pelos caranguejos mortos.

Selo

O Selo Caranguejo Verde é monitorado pela Embrapa Meio Norte. O complexo Beach Park vem seguindo a cartilha proposta pelo pesquisador Legat e os resultados já representam uma economia significativa, menos de 5%. Além do ganho, maior lucratividade, o processo implantado no transporte gerou uma redução significativa de danos físicos; preservando os sumos e gorduras (sabor) e a redução do stress dos animais.

A adoção do Selo Caranguejo Verde pelo segmento de restauração e, especialmente, pela sociedade é exemplo a ser adotado. São projetos como esse, desenvolvidos através de estudo, pesquisa e desenvolvimento de processos dos nossos recursos naturais, que criam e integram ao conceito de sustentabilidade da biodiversidade a valorização do nosso patrimônio imaterial, tão valorizado na indústria do receber.

Fernando Barroso

http://www.opovo.com.br/

By TurismoMT

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