Com primavera árabe, turismo tem dias sombrios

Países vizinhos também são afetados e América pode ver seu fluxo turístico aumentar

“Nós não somos como a Líbia”. O apelo quase desesperado, feito pelo Ministério do Turismo da Turquia, evidencia o baque econômico que os países próximos das nações em conflito no Oriente Médio e no Norte da África têm sofrido em decorrência da queda do número de turistas. Apesar de não ser um país árabe, a Turquia absorve uma enorme quantidade de turistas que passeiam pela região, e compartilha com o Líbano, a Jordânia e o Marrocos a difícil realidade de ter uma vizinhança em ebulição.

A ‘primavera árabe’, nome atribuído aos movimentos pró-democracia nos países islâmicos atualmente, teve efeito direto sobre aquela que é a principal atividade econômica regional: o turismo. Para se ter uma ideia de como tais problemas podem afetar a economia local, segundo o Conselho Mundial de Turismo, em 2010, 13% do Produto Interno Bruto (PIB) dos países do Norte da África veio da indústria do turismo, enquanto no Oriente Médio, a proporção foi de 8,1%.

A Tunísia, destino extremamente popular entre europeus (sobretudo franceses), foi o primeiro país a sofrer as conseqüências. Berço das primeiras manifestações, em janeiro, viu seu fluxo de turistas cair 40% nos dois primeiros meses do ano, de acordo com o relatório Regional Economic Outlook, divulgado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Uma das conseqüências da baixa foi uma queda de nada menos que 13% na produção industrial do país no período.

O Egito, cujas revoltas eclodiram logo em seguida, também foi afetado de forma instantânea. Entre janeiro e fevereiro deste ano, o desembarque de turistas vindos do exterior caiu 45% – um número que se torna ainda mais representativo pelo fato de o Egito responder por 20% do turismo da região, segundo a Organização Internacional do Turismo (UNWTO). Em abril, o Ministério do Turismo Egípcio lançou uma campanha internacional de estímulo ao turismo que leva o nome de “Egypt is safe” (Egito é seguro, em português), visando transformar a praça Tahrir, alvo de inúmeras manifestações no Cairo, em atração turística.

A estratégia faz sentido, principalmente, porque o próprio ministro do turismo do país, Mounir Fakhry Abdel Nour, já reconheceu que o Egito terá uma queda de 25% na receita com turismo em 2011, passando de 11,6 bilhões de dólares em 2010, para 7,5 bilhões de dólares em 2011. Segundo o analista Robert Powell, da consultoria Economist Intelligence Unit (EIU), a previsão do ministro é otimista. “Como a base de comparação é 2010, em que o turismo no Egito cresceu muito, a expectativa é de que a queda seja um pouco superior a 25%”, afirma Powell.

Sem conflitos, mas sem turistas – As outras principais nações que acolhem o turismo estrangeiro – Marrocos, Jordânia e Líbano – não passam por problemas políticos, mas já sentem os efeitos da aversão do turista a regiões de risco. Nos dois primeiros meses de 2011, o turismo na Jordânia cresceu apenas 2%, enquanto no Líbano houve queda de 13% no período. O Marrocos, palco de manifestações pacíficas em Marrakech, apresentou alta de 6% no fluxo de turistas. O número, no entanto, foi contabilizado antes do atentado na Praça Yemaa el-Fna, no dia 28 de abril, que deixou 16 mortos.

Segundo a portuguesa Sandra Carvão, porta-voz da UNWTO, atentados como o que houve em Marrakech podem afetar o turismo no curto prazo, mas são rapidamente esquecidos. “Cada vez mais esse tipo de evento tem um impacto curto. As pessoas podem, durante um mês ou dois, repensar a viagem, mas ao final de cinco ou seis meses, já não há uma memória forte sobre o fato”, afirma.

O curso natural do turismo em situações de conflito é a busca por destinos similares e próximos. Por essa razão, a expectativa é que os países vizinhos à Líbia, Síria, Egito, Tunísia e Barein vejam sua indústria de turismo se aquecer – fato que ainda não ocorreu de forma expressiva em 2011. Segundo Michel Alaby, secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, apenas os pontos específicos onde houve conflito, como o Cairo, por exemplo, ainda estão sob atenção. “Os outros países da região que não tiveram conflitos estão extremamente tranquilos, com tudo funcionando normalmente e esperando as férias de verão da Europa e dos Estados Unidos, a partir de julho”, afirma Alaby, que aposta nos ‘liberais’ Catar e em Emirados Árabes como destinos alternativos para os países em crise.

Os efeitos para o Brasil – Outro cenário possível é de que países da América e África Subsaariana recebam mais visitantes que, inicialmente, buscavam destinos de sol e praia no Oriente Médio e no Norte da África. Nesse caso, segundo Sandra Carvão, sobretudo os turistas norte-americanos tenderão a optar pela América Latina. “Com a morte de Osama bin Laden, os americanos estão em alerta e deverão priorizar o turismo regional. Por isso, o Brasil, com sua costa extensa, acaba se tornando um destino extremamente propício”, afirma.

Ana Clara Costa

http://veja.abril.com.br/

By TurismoMT

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